Uso racional de antibiótico no idoso.

Os antibióticos estão entre as drogas mais prescritas no mundo. A Organização Mundial de Saúde estima que em torno de 50% dos antibióticos são prescritos de forma inadequada.

No paciente idoso, existem particularidades que levam ao uso de antibióticos ainda maior, como comorbidades acumuladas, status funcional, imunossenescência, residência (homecare, lar geriátrico).

A máxima de o antibiótico certo contra o patógeno certo na dose certa para ser seguro e eficaz também é válida para o idoso. O envelhecimento e as comorbidades levam a modificações de distribuição, metabolismo, excreção e interação das drogas. Isso deve ser levado em consideração na prescrição.

O uso racional de antimicrobianos, stewardship, é particularmente importante nos pacientes geriátricos, sobretudo nos que estão em uso de homecare ou cuidados de saúde domiciliar.

Pacientes usuários desses serviços frequentemente usam sondas nasoenterais, gastrostomias, sondas vesicais de alívio ou de demora, acessos venosos de média e longa permanência, traqueostomias com suporte ventilatório ou apenas oxigênio suplementar. Esses dispositivos levam ao maior risco de colonização e/ou infecção por bactérias multirresistentes.

Devemos lembrar que as síndromes infecciosas podem se apresentar, muitas vezes, de forma atípica no idoso. Febre menos intensa ou ausente, mudanças no cognitivo ou no comportamento, inapetência, descontrole de comorbidades, como insuficiência cardíaca, renal ou diabetes.

Dessa forma, o início de tratamento com antibióticos deve ser bem criterioso. Diante da dificuldade diagnóstica inicial, solicita-se grande quantidade de exames laboratoriais, incluindo culturas, e de imagem.

Devemos ficar atentos para diferenciar colonização de infecção. Algumas vezes, é difícil essa distinção e, por isso, o overtreatment (excesso de tratamento) no idoso tem taxas maiores do que nos adultos.

As medidas mais apropriadas para evitar o excesso de tratamento seriam:

-Desescalonar assim que os resultados das culturas estiverem disponíveis.

-Fazer a troca para droga oral quando possível.

-Esquecer os números cabalísticos para tempo de tratamento( números de dias fixas sem individualização do tratamento)

-Suspender antibiótico quando critérios de melhora clínica tiverem sido alcançados.

Assim, teremos tratamentos eficazes com os menores efeitos colaterais/adversos possíveis.

Ronyllton Brito
Médico infectologista do Hospital Esperança Recife.

Referências

Dylis A, Boureau AS, Coutant A, Batard E, Javaudin F, Berrut G, de Decker L, Chapelet G. Antibiotics prescription and guidelines adherence in elderly: impact of the comorbidities. BMC Geriatr. 2019 Oct 29;19(1):291.

Cruz SP, Cebrino J. Prevalence and Determinants of Antibiotic Consumption in the Elderly during 2006-2017. Int J Environ Res Public Health. 2020 May 6;17(9):3243.

MANDELL, DOUGLAS, AND BENNETT’S PRINCIPLES AND PRACTICE OF INFECTIOUS DISEASES, NINTH EDITION

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Siga nosso Instagram

Mais Recentes

Mais Visitados ​

Mais Comentados

Contact Us