Síndrome da apneia obstrutiva do sono no idoso (SAOS) – Revisão

1)Qual a importância epidemiológica? 

Doença altamente prevalente na população idosa, estima-se que 30-50% dos idosos apresentem apneia obstrutiva do sono (SAOS) 

2)Quando pensar em apneia?Como paciente pode se apresentar?  

O paciente pode apresentar diversas formas sendo as mais comuns: 

-Sonolência diurna 

-Roncos noturnos  

-Despertares noturnos com engasgos ou sensação e sufocamento 

-Cefaleia matinal 

-Sintomas neuropsiquiátricos 

Lembrar ainda que a apneia do sono pode prejudicar o tratamento da hipertensão, piorar transtornos do humor, piorar a disfunção cognitiva, contribuir para piora da doença arterial coronariana, contribuir para maior incidência de acidente vascular cerebral, piora no controle e tratamento da insuficiência cardíaca congestiva, contribuir na incidência de fibrilação atrial ou diabetes mellitus tipo 2. 

3) Quais as complicações possíveis de apresentar SAOS?  

Principalmente as cardiovasculares no longo prazo, aumento da incidência de AVC, IAM, HAS e síndrome metabólica. 

Aumenta ainda o risco de dislipidemia e diabetes 

4) Como investigar?  

Utilizamos das polissonografias para investigação clínica. A polissonografia pode ser dividida em quatro tipos: 

Polissonografia tipo 1 – realizada em laboratório de sono e observada por um técnico (utilizando 7 canais de sinal no mínimo); 

Polissonografia tipo 2 – Realizada sem a observação de técnico. (utilizando 7 canais de sinal no mínimo); 

Polissonografia tipo 3 – Realizada sem a observação de técnico. (utilizando 4 a 7 canais de sinal). Esta pode ainda ser definida como polissonografia cardio-respiratória. 

Polissonografia tipo 4 – Aquela que utiliza 1 ou 2 canais (sendo um deles a oximetria) 

As polissonografias tipo 2, tipo 3 e tipo 4 poderão ser realizadas em domicílio, denominadas, por isso, polissonografia em ambulatório ou polissonografias no domicílio, utiliza-se para tal aparelho de polissonografia portátil. 

A princípio não há ainda um teste clínico que permite definir SAOS com segurança, o “gold standard” ainda é a polissonografia (tipo 1) de no mínimo 9 canais, com ou sem CIPAP associado. 

Podemos utilizar de escalas de pré-teste para tentar definir, pela graduação, os casos leves a moderados. Nestes casos mais simples poderemos utilizar os aparelhos de 2-3 canais apenas, deixando-se a polissonografia em laboratório para os casos graves. 

Pode ser realizada ainda a polissonografia do sono completa ou a forma particionada, sendo esta última a que se propõe em colocar algum equipamento de CIPAP na segunda parte do estudo, e já adaptando o paciente. 

As ferramentas mais comumente utilizadas para isto são o questionário  STOP-Bang e a escala de sono de Epworth(Epworth Sleepiness Scale -ESS). 

O questionário STOP-Bang é uma pesquisa de oito ítens que incorporam informações sobre roncos(Snoring), cansaço(Tiredness), apneias observadas(Observed apneas), pressão sanguínea(Blood pressure), IMC(Body Mass INdex), idade (Age), circunferência do pescoço(Neck circumference) e sexo(Gender). 

Quais exames devemos pedir? 

Polissonografia ou poligrafia.  

Qual a diferença em poligrafia e polissonografia completa? 

Basicamente o número de dados avaliados a partir dos canais de observação ofertados. 

A polissonografia é um exame mais robusto com pelo menos 7-8 canais de avaliação onde podemos detectar os movimentos dos olhos, as ondas cerebrais dominantes, movimentos do tronco, saturação e movimentos da perna e do corpo. 

Na poligrafia o exame é mais simples, praticamente se limitando aos movimentos do tórax e saturação usando 2 canais apenas. 

Quais os tratamentos?CPAP sempre? 

Preferencialmente sim, ainda é a medida mais efetiva no tratamento para restauração do sono reparador. 

Quando encaminhar pro especialista?  

Nos casos mais simples a avaliação por médicos generalistas poderá ser realizada. 

Em casos mais complexos uma avaliação abrangente com acompanhamento por um médico que tenha algum nível de experiência em medicina do sono poderá ser  apropriada. 

A apneia obstrutiva do sono hoje é uma doença que o clínico de primeiro atendimento pode tratar sem problemas, terá que ter apenas laboratórios e centros de fisioterapia que saibam lidar com o problema 

Quando encaminhar para aparelho intraoral?  

Esta é uma modalidade que tem sua aplicabilidade clínica mais nos paciente jovem, costumam aceitar melhor este tipo de tratamento, o idoso se adapta menos a esta modalidade. Não costumamos utilizar do aparelho na Geriatria. 

Qual o papel da fonoterapia?  

A fonoterapia tem apresentado papel importante no tratamento de alguns casos de apneia obstrutiva do sono, o trabalho foca basicamente no reforço da musculatura laríngea com bons resultados no médio e longo prazo nos pacientes que apresentam apneia. 

A questão recai sobre a necessidade de se realizar os exercícios de forma rotineira exigindo uma disciplina que nem sempre o paciente consegue manter. 

Como avaliar resposta ao tratamento?  

O paciente apresentará melhora das queixas iniciais, recuperação cardiovascular, perda de peso, redução das queixas de cansaço diurno, dentre outros fatores que sinalizam melhora clínica frente as queixas. 

Algum aparelho de CPAP mais recomendado? 

Existem vários modelos, os melhores podem até oferecer umidificação, ajuste automático de pressão e relatório noturno, habitualmente são produzidos por empresas já conhecidas no mercado. 

Exemplo: 

  1. CPAP Auto DreamStation – Philips Respironics. 
  1. CPAP Automático AirSense 10 AutoSet com Umidificador – ResMed. 
  1. Kit CPAP automático BMC com Umidificador. 

Como como escolher a máscara ideal para o tratamento com CPAP? 

O grande segredo do tratamento está na adaptação à máscara facial, a ideal são as máscaras acoplamento nasal, podendo o paciente passar um tempo de adaptação com o aparelho para compra definitiva, caso consiga utilizar sem problemas. 

Pacientes com barba e ou bigode podem usar CIPAP? 
Sim, apenas tenta se adaptar o modelo de interface utilizado no caso (máscaras em gel ou com almofadas nasais). 

E para quem tem um sono muito irrequieto, o que fazer? 

Importante atentar para a posição que se costuma dormir, para estes pacientes mácaras nasais com fixação na cabeça poderá servir bem. 

Pegadinha 

Apesar da reputação da polissonografia tipo 1 ou 2 ( as realizadas em laboratórios de análise do sono), consideradas como padrão ouro para o diagnóstico da SAOS, em casos de teste negativo, e clínica ainda suspeita ou sugestiva, poder-se-á repetir a polissonografia, conforme orienta a Academia Americana de Medicina do Sono. 

Referências

https://open.spotify.com/episode/1VMju673wFkz21VGJlyvET?si=MT4VndYmQWW2mNfnkEKRLw

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