Como utilizar o tempo esperado para benefício(TEB) na Geriatria?

Se você cuida de um idoso e pretende propor uma intervenção (seja um tratamento ou um exame de rastreio), há algo que você deve sempre considerar antes: o tempo de espera para benefício.

Mas, afinal, o que seria isso?

Há intervenções que surtem efeito quase que imediatamente, como um anti-térmico administrado para febre. Porém, várias outras podem demandar um tempo mais prolongado (até muitos anos) para surtirem um efeito realmente benéfico à saúde, como a melhora de um sintoma ou a prevenção de uma doença. Esse período que leva até o resultado positivo chamamos de TEMPO DE ESPERA PARA BENEFÍCIO.

E por que é tão importante considerarmos isso no idoso?

Para prevermos se determinada conduta será útil ao idoso, precisamos estimar se ele ainda viverá tempo suficiente para vir a se beneficiar de tal conduta.

Assim, uma idosa muito frágil, com chance grande de falecer nos próximos 2 anos, provavelmente pouco terá proveito de uma mamografia, cujos benefícios para prevenção de morte por câncer de mama tendem a ocorrer somente após cerca de 10 anos.

Além disso, vale lembrar que, para muitas intervenções, os riscos e complicações atrelados tendem a ocorrer pouco tempo após a realização das mesmas, ao passo que os benefícios, como já dito, vão aumentando no decorrer do tempo. Num idoso mais frágil, que tende a lidar pior com situações de stress, isso deve ser especialmente considerado.

Portanto, na hora de tomar decisões clínicas, lembre-se sempre de colocar as variáveis “tempo de espera para benefício” e “expectativa de sobrevida” na equação do cuidado ao idoso.

@DanielGomes

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