Como utilizar a classificação Ti RADS?

Com relativa frequência encontramos resultados de USG de tireóide com a classificação TI RADS, mas como interpretá-la, como acompanhar o paciente a partir da classificação?A classificação tem valor para seguimento?

                É importante primeiro estabelecer se o nódulo é funcionante ou não a partir das dosagens do TSH, se o TSH estiver normal ou elevado procede-se a avaliação do TI RADS, caso o TSH esteja abaixo do valor normal partimos para o estudo do T4 livre e da cintilografia da tireóide, voltando-se a análise do TIRADS nos casos em que o nódulo for não funcionante.

                A patir do achado USG de nódulo tireoideano não funcionante, apresentada a classificação TIRADS para malignidade potencial do nódulo, o clínico ou geriatra procede a decisão de solicitar uma PAAF guiada por USG ou não.                

                Pela Classiticação TI RADS, tabela 1, categoria TR1 e TR2 não precisam de biópsia fazendo-se o acompanhamento USG de tireóide anual a partir do conhecimento destes;

                Caso a classificação seja TR3 então se encaminha para punção aspirativa por agulha fina(PAAF) apenas os nódulos com mais  de 25mm(2,5cm), fazendo-se acompanhamento USG anual para os que não forem biopsiados.

                Caso a classificação seja TR4 então se encaminha para PAAF apenas os nódulos com mais  de 15mm(1,5cm), fazendo-se acompanhamento USG anual para os que não forem biopsiados.

                Caso a classificação seja TR5 então se encaminha para PAAF nódulos  com 10mm(1,0 cm) ou mais.Continuando acompanhamento com USG naqueles que não apresentem esta dimensão.

Tabela 1.Classificação TI RADS (extraída e traduzida do Up to Date²)

 PontosRisco de malignidade (%)Limiar para biópsia (mm)
TR100.3No biopsy
TR221.5No biopsy
TR334.825
TR44 to 69.115
TR57+35.010

Mas esta classificação tem valor para acompanhamento na prática?

Na prática utilizamos tanto a classificação TIRADS  do ACR como os critérios da ATA(American thyroid associaton) a qual recomenda a PAAF em nódulos >1,0cm em pacientes com padrões USG da tireóide com suspeita intermediária a alta de malignidade; em casos de USG da tireóide com baixa suspeita apenas se punciona os nódulos >1,5 cm.Para os casos de suspeita muito baixa pode-se acompanhar anualmente com USG da tireóide ou relaizar PAAF nos nódulso acima de 2,5 cm. No nódulo puramente císticos não se faz PAAF.

Tabela 2. Critérios da ATA para PAAF de acordo com os achados USG dos nódulos da tireóide

(tabela extraida e traduzida do Up to date)

Padrão ultrassonográficoAchados da USGRisco estiamado de malignidadeConsiderar biópsia (Cutoof da PAAF, Maior dimensão)
Alta suspeitaNódulo hipoecóico sólido ou componente hipoecoico sólido de um nódulo parcialmente cístico COM uma ou mais das seguintes características: margens irregulares (infiltrativas, microlobuladas), microcalcificações, forma mais alta do que larga, calcificações de borda com pequeno componente extrusivo de tecido mole, evidência de extensão extratireoidiana>70 to 90%*Recomenda-se PAAF nos nódulos  ≥1 cm
Suspeita intermediáriaNódulo sólido hipoecóico com margens lisas SEM microcalcificações, extensão extratireoidiana ou forma mais alta que larga10 to 20%Recomenda-se PAAF nos nódulos ≥1 cm
Baixa suspeitaNódulo sólido isoecóico ou hiperecoico, ou nódulo parcialmente cístico com áreas sólidas excêntricas, SEM microcalcificação, margem irregular ou extensão extratireoidiana, ou forma mais alta que larga5 to 10%Recomenda-se PAAF nos nódulos ≥1.5 cm
Muito baixa suspeitaNódulos espongiformes ou parcialmente císticos SEM nenhuma das características ultrassonográficas descritas nos padrões de suspeita baixa, intermediária ou alta<3%Considera-se PAAF nos nódulos ≥2 cm Observar sem pucionar tb é factgível
BenignoNódulos puramente císticos (sem componente sólido)<1%Não biopsiar¶

NOTA: A PAAF guiada por ultrassom é recomendada para linfonodos cervicais que são ultrassonograficamente suspeitos de câncer de tireoide.

FNA: aspiração por agulha fina.

* A estimativa é derivada de centros de alto volume; o risco geral de malignidade pode ser menor devido à variabilidade interobservador na ultrassonografia.

¶ A aspiração do cisto pode ser considerada para drenagem sintomática ou cosmética.

Traduzido do Up to date, originalmente de Haugen BR, Alexander EK, Bible KC, et al. 2015 American Thyroid Association Management Guidelines for Adult Patients with Thyroid Nodules and Differentiated Thyroid Cancer. Thyroid 2016; 26:1. Copyright © 2016 Mary Ann Liebert, Inc.

Referências:

  1. 1.    Middleton WD, Teefey SA, Reading CC, et al. Multiinstitutional analysis of thyroid nodule risk stratification using the American College of Radiology Thyroid Imaging Reporting and Data System. AJR AM J Roentgenol 2017; 208:1331.
  2. 2.    https://www.uptodate.com/contents/diagnostic-approach-to-and-treatment-of-thyroid-nodules?search=ti%20rads&source=search_result&selectedTitle=2~5&usage_type=default&display_rank=2
  3. 3.    https://www.uptodate.com/contents/image?imageKey=ENDO%2F70513&topicKey=ENDO%2F7890&search=ti%20rads&rank=2~5&source=see_link&sp=0

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