As barreiras no cuidado na Oncogeriatria

No Encontro anual da ASCO, a Sociedade Americana de Oncologia Clínica, evento mais importante do mundo na área, o Educational Book do congresso traz o artigo “Care Disparities Across the Health Care Continuum for Older Adults: Lessons From Multidisciplinary Perspectives”, que mostra porque a desigualdade de acesso aos cuidados oncológicos é ainda mais gritante entre os idosos.

A causa disso é multifatorial. Fragilidade clínica, com dificuldade de mobilidade e saúde comprometida por comorbidades e hábitos de vida inadequados, assim como vulnerabilidade social e econômica. Em países subdesenvolvidos, como o Brasil, a vulnerabilidade é ainda mais relevante, considerando a baixa renda e poucas políticas públicas voltadas para essa população.
Em relação às barreiras ao cuidado do câncer entre os idosos, destacam-se três fatores potencialmente modificáveis:

• Ageísmo: não se pode aceitar uma decisão baseada apenas na idade cronológica. O envelhecimento é um processo heterogêneo e a tolerabilidade aos tratamentos varia muito de acordo com cada indivíduo. O preconceito relacionado à idade está presente nos serviços de saúde, assim como entre os pesquisadores e as indústrias farmacêuticas;

• Acesso: o idoso tem maior dificuldade de acessar o tratamento ideal por diversos motivos, como limitação de mobilidade e transporte, perda cognitiva e fragilidade social. A intervenção em cada um desses pontos é essencial;

• Avaliação: todos os idosos com câncer devem ser submetidos a uma avaliação geriátrica antes de se tomar decisões quanto ao seu tratamento. Isso inclui a aplicação de escalas de risco de toxicidade, identificação de expectativa de vida e planejamento de medidas de reabilitação. As decisões sempre devem ser compartilhadas, com o idoso ou seu representante (caso haja comprometimento cognitivo), levando em consideração as preferências do paciente.

O caminho a ser trilhado é longo, mas devemos buscar diariamente uma maior equidade no tratamento oncológico dos idosos. A comunidade científica já despertou para isso, basta conseguirmos colocar em prática no nosso cotidiano.

@dra.mariamagalhaes

#Oncogeriatria

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